segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Inverdades


Embriaguei-me a cada gota de saudade
que deixaste submerso no oceano do teu beijo.
De repente mergulhaste no abismo de inverdades,
carregado nas atrocidades, de encantos e desejos.

Vieste vestido entre tuas extremidades,
sentimentos invadidos da certeza e do medo.
Foste fonte do acaso das tuas próprias crueldades,
consequências corrompidas pelo excesso de ensejo.

Agora que encontraste teus caminhos regulares,
talvez, um pouco tarde, percebeste teus segredos.
Quem sabe tu consegues aproximar do teu acaso,
só o tempo é o conserto para todo entendimento.

Autoria: Palloma Dornelas

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Ao final: a despedida



Romperam-se os laços
fecharam-se os ciclos
despediram-se naquele último abraço
o que parecia, de fato, dispostos pelo destino.

Despediram-se dos acasos
 dos risos frouxos e inusitados
quase sempre era estampado
nos devaneios dissipados
e na utopia da paixão.

Ah, é tudo tão natural
tudo muda e isso tudo é normal
nada certo, se o incerto é real
a despedida é a certeza
deste encontro final.

Autoria : Palloma Dornelas







domingo, 24 de julho de 2016

Deixe-me partir


A cada encontro inusitado
tu chegavas feito vento em furacão
de repente, estava tudo bagunçado:
sentimento, alma, interesse e emoção.

Nesses encontros tão pouco inesperados
a beleza se firmava entre o toque de tuas mãos
no beijo quimicamente que sempre era trocado
e no abraço caloroso semelhante a um vulcão.

Nesses encontros que surgem por acaso
o amor é tão efêmero feito chuva de verão
o desejo é o alicerce que ultrapassa todo prazo
do chegar ao partir sem nenhuma explicação.

E no último momento do encontro incalculado
retorno ao avesso do meu estado de emoção
quiçá, um dia, o destino assujeitado
te assujeite novamente a gênese da paixão.

Autoria: Palloma Dornelas







domingo, 19 de junho de 2016

Ressignificando


Chorarei de saudade
por angústia e  felicidade
guardar-te-ei em minha memória
mais longínqua e remota 
nossas lembranças tão afáveis 
e carregadas de emoções.

O dia-a-dia vai passando
e eu vou tentando me guiar
até os neurotransmissores
nesta missão vem ajudar
a manter a homeostase
do antagonismo desta fase
para não descompensar

Todo excesso e sua essência
registrados hão de ficar
em um tráfego de pensamentos
de memórias  particular
o hipocampo com sua destreza
passará a armazenar

Vem as lembranças como anseios
de um dia te reencontrar
penso em ti o dia inteiro
fazendo a saudade apertar
Êh sistema límbico malvado
mais específico as amígdalas
que me fez, por ti, gostar.

Autoria: Palloma Dornelas






quinta-feira, 2 de junho de 2016

Mil e uma fases




Há quem diga que ela é irmã da lua. 
Permite a transição do ápice da alegria até a rastejante melancolia. 
Vivencia a felicidade até o antagonismo da sua relação. 
Carrega a beleza no sorriso e a intensidade no olhar.
Mas, de repente, um vasto temporal emerge sobre seu corpo 
e substitui um momento de euforia por longos períodos de anedonia.
 Há quem diga que ela é de fases
 Há quem goste desta transição 
Há quem se apaixone por cada fase
 Há quem não suporte tanta alteração.

Palloma Dornelas

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O tempo


Lá vai o tempo bem depressa
não tem freio e nem conversa
calma aí, pra que a pressa?
mais um minuto nesta remessa
e assim podes partir.

Lá vai o tempo e leva a hora
pisco os olhos, já foi embora
um segundo já é outrora
o desespero bate na porta
sem piedade nem dó de mim.

Lá vai o tempo atropelando
carrega o presente e vai encurtando
em questão de segundos destrói todos planos
projeções para o futuro estão se findando
e no momento o que resta é o desejo sem fim.

E lá vai o tempo nesta viagem
deixando uma dúvida em sua passagem:
Seria o tempo o apressado
ou será eu o atarefado?
No momento, sem respostas
o melhor é prosseguir. 

Autoria: Palloma Dornelas



segunda-feira, 11 de abril de 2016

Avassalador


Amar-te involuntariamente
inconstante e intensamente.
De segundo a segundo dispara
este desejo que insiste loucamente
em te reviver nestes meus dias tão obscuros 
e que me fazem ter a certeza de que este
jeito tão besta de gostar do inesperado 
de quem nunca conseguirá alimentar 
este vazio que por dentro aflora
 e se transforma num abismo sem fim.

Autoria: Palloma Dornelas