domingo, 24 de julho de 2016

Deixe-me partir


A cada encontro inusitado
tu chegavas feito vento em furacão
de repente, estava tudo bagunçado:
sentimento, alma, interesse e emoção.

Nesses encontros tão pouco inesperados
a beleza se firmava entre o toque de tuas mãos
no beijo quimicamente que sempre era trocado
e no abraço caloroso semelhante a um vulcão.

Nesses encontros que surgem por acaso
o amor é tão efêmero feito chuva de verão
o desejo é o alicerce que ultrapassa todo prazo
do chegar ao partir sem nenhuma explicação.

E no último momento do encontro incalculado
retorno ao avesso do meu estado de emoção
quiçá, um dia, o destino assujeitado
te assujeite novamente a gênese da paixão.

Autoria: Palloma Dornelas







domingo, 19 de junho de 2016

Ressignificando


Chorarei de saudade
por angústia e  felicidade
guardar-te-ei em minha memória
mais longínqua e remota 
nossas lembranças tão afáveis 
e carregadas de emoções.

O dia-a-dia vai passando
e eu vou tentando me guiar
até os neurotransmissores
nesta missão vem ajudar
a manter a homeostase
do antagonismo desta fase
para não descompensar

Todo excesso e sua essência
registrados hão de ficar
em um tráfego de pensamentos
de memórias  particular
o hipocampo com sua destreza
passará a armazenar

Vem as lembranças como anseios
de um dia te reencontrar
penso em ti o dia inteiro
fazendo a saudade apertar
Êh sistema límbico malvado
mais específico as amígdalas
que me fez, por ti, gostar.

Autoria: Palloma Dornelas






quinta-feira, 2 de junho de 2016

Mil e uma fases




Há quem diga que ela é irmã da lua. 
Permite a transição do ápice da alegria até a rastejante melancolia. 
Vivencia a felicidade até o antagonismo da sua relação. 
Carrega a beleza no sorriso e a intensidade no olhar.
Mas, de repente, um vasto temporal emerge sobre seu corpo 
e substitui um momento de euforia por longos períodos de anedonia.
 Há quem diga que ela é de fases
 Há quem goste desta transição 
Há quem se apaixone por cada fase
 Há quem não suporte tanta alteração.

Palloma Dornelas

sexta-feira, 13 de maio de 2016

O tempo


Lá vai o tempo bem depressa
não tem freio e nem conversa
calma aí, pra que a pressa?
mais um minuto nesta remessa
e assim podes partir.

Lá vai o tempo e leva a hora
pisco os olhos, já foi embora
um segundo já é outrora
o desespero bate na porta
sem piedade nem dó de mim.

Lá vai o tempo atropelando
carrega o presente e vai encurtando
em questão de segundos destrói todos planos
projeções para o futuro estão se findando
e no momento o que resta é o desejo sem fim.

E lá vai o tempo nesta viagem
deixando uma dúvida em sua passagem:
Seria o tempo o apressado
ou será eu o atarefado?
No momento, sem respostas
o melhor é prosseguir. 

Autoria: Palloma Dornelas



segunda-feira, 11 de abril de 2016

Avassalador


Amar-te involuntariamente
inconstante e intensamente.
De segundo a segundo dispara
este desejo que insiste loucamente
em te reviver nestes meus dias tão obscuros 
e que me fazem ter a certeza de que este
jeito tão besta de gostar do inesperado 
de quem nunca conseguirá alimentar 
este vazio que por dentro aflora
 e se transforma num abismo sem fim.

Autoria: Palloma Dornelas

quarta-feira, 6 de abril de 2016

A saúde em poesia


Nos primórdios da saúde
o acesso era restrito
só recebia assistência
se com a previdência contribuísse
visão meramente curativista
e de caráter lucrativo.

Enquanto isso acontecia
a epidemia se disseminava
da febre amarela, peste e tifo
pelos portos se alastrava
os trabalhadores adoeciam
e a economia era afetada.

Combater as epidemias 
era mais que necessário
e as campanhas sanitárias
era o modelo de trabalho
surgia, então, para a saúde
um conceito renovado.

Transitando de cenário
a militância era importante
fortalecer o que se acredita
na luta, firmes e bravejantes
foi necessário um sistema
abrangente e mais equânime.

De caráter Universal
eis que surge este sistema
que abarca as diferenças
sem restrições e nem riquezas
para o cuidado com a saúde
em toda  forma e natureza.

Autoria: Palloma Dornelas







quarta-feira, 23 de março de 2016

Vaidade torturante


Continuar a se enganar nas incertezas
rompe com a razão e se faz torturante.
Corrói como um ácido, aniquila o desejo
destrói toda a paz nesta dúvida incessante.

Aceitar a realidade é o mais sensato
se torna mais que necessário 
e faz bem como um calmante.
A derrota, por mais dolorosa,
não deixa de ser, a verdade amargurante.

E a vaidade? Esta vai ficando obsoleta
sem futuro, sem pé e nem cabeça
que lentamente vai morrendo
pela ausência de combustão.

Autoria: Palloma Dornelas